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ANIMES ON DEMAND

A GUERRA DOS STREAMING

O anúncio feito pela distribuidora de mídia asiática oriental Funimation Productions no dia 3 de Julho, durante FunimationCon 2020, consolida a era dos animes on demand e atinge os fãs brasileiros com êxtase e preocupação. A empresa americana fundada por Gen Fukunaga (ainda atual presidente) e sua esposa Cindy Fukunaga em 1994 é especializada em dublagem e distribuição de conteúdo asiático, com foco em animes. Inicialmente sua rede se estendia aos EUA e Canadá com a distribuição de diversos títulos conhecidos mundialmente como: Dragon Ball, One Piece, Cowboy Bebop , Akira e Attack on Titan. Entre idas e vindas, vendas e compras de ações, em 2017 a Sony Pictures adquiriu parte majoritária da Funimation e deu início a um ousado conglomerado mundial de animes. FUNIMATION GLOBAL GROUP
Imagem: Divulgação

No final do mesmo ano foi anunciado a consolidação de um empreendimento em conjunto composto por: pelas subsidiárias Funimation, Madman Anime Group/ Animelab e Wakani…

SIGNOS, SÍMBOLO, SINAL, ALEGORIA E ARQUÉTIPOS


 Homos Symbolicum




 Signo do Latim Signum é o nome dado a um elemento representativo, no lugar de algo que pode ser: um objeto, um sujeito, uma ação, uma ideia. Ele representa algo indiretamente, seu papel é fundamental na comunicação, pois permite organizar, formular e disseminar algo não presente, direto ou não concreto. O historiador contemporâneo Yurval Harari em seu livro Sapiens cita que um dos principais pontos que separa o Homo Sapiens das demais espécies de Hominídeos da pré-história é sua capacidade ‘’imaginativa’’, de criar um universo de coisas imateriais, que existem no mundo mental, cheio de significados e representações, cujo os signos tem papel importante. 

O sapiens é capaz de representar vivências e experiências, pessoais e coletivas através de ideias, abstrações, que se traduzem ao longo da história como figuras, imagens, gestos, linguagem e crenças.
Esse atributo e capacidade de expressar o contato com o misterioso e  transcendente, permitiu ao Sapiens a partilha de sentimentos, emoções, sensações em um grau tão rico que pode unir diversos indivíduos em cooperação para atuar em um objetivo em comum. Fato este que permitiu nos anos seguintes a sobrevivência da nossa espécie perante os hominídeos contemporâneos e o "posto" de ser dominante do planeta. 


É desta união, que se caracteriza e manifesta não somente o Homo Ludens (Lúdico) Homo Loquens ( linguagem), Homo Faber (Habilidade) e Homo Culturale (Cultura), mas o Homos Religious (Religioso), como observador e protagonista de seu próprio universo.  A palavra religião e sua origem latina do verbo Religare, cujo significado: religar, reler, tem sentido relevante neste artigo, pois demonstra a capacidade humana de se conectar com um ambiente de manifestações que o cerca, ao mesmo tempo que atua, reescreve, reconstrói  livremente os significados de suas vivências. O Sapiens é atuante na construção de seu conhecimento e meio, experimentando e interpretando, a ele cabe a capacidade de atribuir objetividade a assuntos subjetivos. 

" As vivências originárias caracterizam o sujeito humano como Homo Religious - categoria relevante para fenomenologia, a história comparada e também para abordagem teológica das religiões. Como filhos da terra, somos Homo(húmus): inseridos no tempo e no espaço terrenal. Como filhos do céu, somos religious: capazes de ler e reler o cotidiano, a partir de experiências fundadoras de sentido, que nos remetem ao infinito e à transcendência. "

Marcial Maçaneiro





Após essa breve caracterização sobre as capacidades que se sobressaem em nossa especie, cabe apresentar um pouco sobre o cenário  de interações que resultariam em uma complexa linguística  simbólica capaz de unir de modo implícito o significado ao significante, forma essa pelo qual se expressa o Homos Symbolicum.

A palavra Signo foi utilizada como sinônimo de sinal, sino, sigla, insígnia, símbolos e até arquétipos. Carl Jung, um dos maiores estudiosos sobre símbolos e sua função mediadora com o transcendente, elevou a compreensão desse campo, para além da semiótica. Sua teoria sobre arquétipos foi algo revolucionário no entendimento da psique humana. Todavia antes de compreender a complexidade dos arquétipos é necessário distinguir e apontar as diferenças entre, sinais, alegorias e símbolos, que embora façam parte do mesmo conjunto possuem diferenças que devem ser exploradas. 

Sinais e Símbolos, pertencem ao universo dos signos, os sinais, são expressões utilizadas para designar algo conhecido e concreto, seu significado está presente nele mesmo, não querendo dizer outra coisa senão isso. Retratam simplesmente objetos, ideias concretas, muitas vezes de nosso cotidiano. É determinado por meio de uma convenção social, como por exemplo, os sinais de trânsito, de perigo, ou de Wi-fi. O objetivo principal dos sinais é expressar através da imagem, a ideia fixa de algo, para economizar palavras, por assim dizer. É um modo de armazenamento eficiente de informações, que o cérebro humano desenvolveu para organizar e categorizar o meio onde vive. Através dos sinais somos capazes de operar cálculos matemáticos, desenvolver uma linguagem de computador, navegar pelos céus, substituindo definições extensas. A escrita, o código Morse, código binário, são exemplos de sinais das quais utilizamos e facilitam a veiculação de informações com pouca perda de seu conteúdo, economizando operações mentais, tornando a ideia mais simples. Por se tratar de convenções sociais, podemos supor que cada cultura tem seus próprios signos, que só localmente fazem sentido, pois o observador tem papel importante na construção de significado. Entretanto podemos encontrar sinais cujo o significado é universal, fato esse devido ao processo de globalização e a eficiência de imagens que falam por si só, como a seguir:



Imagem cujo significado é PERIGO! Risco de Morte

Um sinal de pare, significa apenas pare, nada além. Essa compartimentalização de informações permitiu a evolução tecnológica e científica, no entanto, é apenas uma capacidade cerebral, um subterfúgio para questões objetivas. Já se sabe por exemplo, que algumas espécies de Canídeos selvagens utilizam de diversos tipos de uivos para comunicar, perigo, comida, ajuda. Destarte  até esse momento o Sapiens não difere muito de um Gorila, que consegue aprender mais de 800 linguagens de sinais para comunicação. A diferença de um animal para um humano é a quantidade de informações que conseguimos codificar, em outras palavras, temos um processador melhor. Mas quando existe uma abstração nas informações, apenas sinais não são úteis para expressar o “invisível’’, conceitos como ética, moral, qualidades espirituais, não há sequer, um sinal que represente de forma objetiva e concretamente satisfatória tais ideias. 

Mas o ser humano foi inteligente o suficiente para adicionar alegorias em seus sinais, para temas mais complexos. Por exemplo: para designar o planeta Vênus podemos determinar o sinal ♀, entretanto para exemplificar, a ideia de beleza, com toda sua complexidade, o caráter objetivo do sinal não é suficiente, somos obrigados a criar alegorias. Um conjunto de alegorias demonstra a ideia daquilo que deseja  se transmitir, a exemplo da imagem da Deusa Vênus, ou como conhecida pelos gregos, Afrodite, a patrona da beleza e o amor.  A narração de sua história, os utensílios que a acompanha, seus filhos tais como o cupido, com seu arco e flecha, que miram o coração, são alegorias, carregadas de emblemas. Portanto a ideia de beleza, amor é vinculada há uma Deusa, que nasceu do sêmen de Cronos, que possui uma beleza exuberante, capaz de conquistar quaisquer homens. São metáforas para expressar com maiores detalhes um conceito abstrato e subjetivo, como  um sentimento ou sensação. Segundo Gilbert Durant: 

A alegoria é tradução concreta de uma ideia difícil de compreender ou exprimir”. 

Portanto podemos notar dois tipos de sinais explicados até o momento: 

  • Arbitrários: Que tem finalidade indicativa, de uma realidade apresentável e um significado único.
  •  Alegóricos: Que visam representar uma realidade mais complexa, menos apresentável que a anterior. Entretanto são obrigados a figurar concretamente uma parte da realidade que representa, ou seja, mantém o significado primeiro.

Magnum Opus Arcanum: Coleção Alquimia Parte 3

Quantas alegorias consegue encontrar nessa imagem?

Obviamente, é puramente teórica tal separação, muitos outros autores dividem de forma diferente e com maior riqueza tal assunto, mas creio que para compreender a ideia principal do artigo tal divisão basta, portanto, seguiremos adiante.

 Com a compreensão de sinal e alegorias, agora podemos falar de suas diferenças em relação aos símbolos,este que vão para além da superfície da representação e demonstram toda a complexidade da mente humana. Símbolo, do grego Sýmbolon (σύμβολον), significa colocar junto, na etimologia de sua palavra carrega o conjunto: sinal e significado. Entretanto ao contrário de um sinal ou alegoria, como visto anteriormente que partem de uma ideia e criam emblemas, metáforas e figuras, o símbolo é o oposto, é primeiramente o fenômeno em si, que cria a ideia, que pode ser tão abstrata quanto a imagem que representa.

 Nas Palavras de Goethe: 

O simbolismo transforma o fenômeno em ideia, a ideia em uma imagem e de modo que a ideia, permanece infinitamente eficaz e intangível na imagem e, mesmo que expressa em todas as línguas, permaneceria inexprimível. ’’

 O símbolo, é utilizado quando não existe um significado apresentável, ele a partir da manifestação “cria’’ significado, é em si o significado, está implícito no mesmo, se refere a um sentido e não há algo sensível. Peguemos como exemplo o Wi-fi, seu sinal é universal e compreendido em todo globo, cujo significado é: Oba! Conexão com a internet. Entretanto imagine que deve explicar para um viajante do tempo, que estava no passado, na idade média, o que é Wi-fi. Primeiramente deveríamos expressar a ideia de internet, computadores, sinais de ondas, eletricidade, mas eis, que lembra que nada disso tem significado para ele, pois desconhece tudo. Como explicar a ideia de algo intangível como ondas invisíveis que carregam e transmitem informações pelo ar? Sem que o mesmo compreenda ser magia? Imagine então o seguinte exemplo, retirado de uma piada: 

Um cientista leva a uma tribo indígena um telégrafo, o índio lhe indaga, mas o que é um telégrafo? Como funciona? O cientista se vê em uma enrascada, como explicar tal conceito? Então diz ao índio: 

- Imagine um cachorro, enorme, mas tão enorme que da cabeça ao rabo ele vai de uma tribo a outra, agora imagine que a tribo vizinha puxa seu rabo, ele então late e a outra tribo do lado da cabeça escuta o latido. O Telégrafo é a mesma coisa, só que sem o Cachorro.

 Talvez seria fácil agora explicar o Wi-Fi, como pombos correios, só que sem os pombos, ou então dizer: Sou um Mago e utilizo magia. Compreenderemos então, que quanto mais abstrata a figura, mais são necessárias alegorias, para explicar a complexidade, entretanto, quando a mesma não possui um significado conhecido, a ideia não consegue ser exprimida, permanece oculta, talvez nem exista. A melhor forma de explicar tal fato, segundo Jung é o símbolo, o imaginário simbólico, que expressa realidades “não existentes’’. 

 “A melhor figura possível, de uma coisa relativamente desconhecida que não conseguiríamos designar de uma maneira mais clara e característica. ’’ (Carl Jung).

 A. Lalande define o símbolo do seguinte modo:

 “ Qualquer signo concreto que evoca, através de uma relação natural, algo ausente ou impossível de perceber. ’’

 Portanto, o significado é parte importante do mundo simbólico, contudo devemos lembrar que o ser humano é parte ativa no significado simbólico, pois um símbolo encontra sentido apenas aqueles que nele o encontram, ou seja, o observador participa ativamente dos conteúdos expressos na imagem. Para duas pessoas diferentes, um signo pode ser apenas um sinal indicativo, enquanto para a outra uma figura simbólica. Como colocado por Paul Ricoeur, o símbolo possui três características simultâneas que lhe dão significado: 


  • Cósmico: Tem uma figuração com o transcendente, algo oculto além de nossa compreensão. 
  • Onírico: Enraizado em nossas, recordações, vivências 
  • Poético: Ao mesmo tempo que possui o concentro, a imagem é a beleza oculta e inesgotável fonte de significado. É metafórico.

Gravura em vaso grego, Minotauro.


O fator onírico da mente consciente que observa pode devido a seu modo de compreender o mundo, assumir uma visão prática das coisas, que o faz enxergar um signo, apenas por seu caráter arbitrário de significado. O que por si, não descarta ainda há possibilidade de existirem símbolos que possuem caráter tão “sem sentido’’ que é difícil até mesmo para o observador mais pragmático enxergá-lo como mero efeito indicativo. São exemplos de figuras de tamanha abstração de significado: Sobrenatural, Metafísico, a arte, os sonhos, o inconsciente, e imagens como a seguir:

Símbolo Ensō Zen Budista, que representa o todo, universo, iluminação e vazio.

 Dessa forma compreendemos que o símbolo tem em si, sempre a junção de dois aspectos: o sinal e significado. Sendo que o segundo depende expressamente de quem o observa, sendo seu significado, universal, entretanto não único, um mesmo símbolo pode expressar ideias diferentes em diversas pessoas. O símbolo da Suástica, usada pelo movimento nazista, responsável por libertar os piores males do ser humano, é encontrado em diversas outras culturas antigas, o nome derivado do sânscrito (escrita Hindu) tem significado de felicidade, boa sorte. Essa é uma clássica referência, de como os símbolos têm poder atrativo e podem ativar os mais diversos conteúdos inconscientes de nosso ser, sua visão depende de quem o observa. O símbolo é uma linguagem que utiliza de todos os nossos sentidos para compreendê-lo, raciocínio, sentimento, sensação, intuição, todos os campos ativados de forma simultânea para buscar compreensão de algo incompreensível, oculto. A partir do momento em que, se dá um significado único, arbitrário, útil e compreensivo, este deixa de  o ser, em suas características simbólico e assume o papel ínfimo de um sinal. 


Símbolo antigo d suástica gravado em pedra

O Símbolo não é uma alegoria nem um sinal, mas a imagem de um conteúdo, em sua maior parte transcendental ao consciente. É necessário descobrir que tais conteúdos são reais, são agentes, com os quais um entendimento não só é possível, mas necessário. ” (Jung).

A esquerda a cruz cristã representando a santa trindade
A direita a cruz de Ansata Egípcia, representando a eternidade e união das forças geradoras

 Compreendido um pouco a ideia de símbolo e sua distinção entre os demais signos, podemos adentrar no campo das teorias Junguianas sobre o assunto. O termo Archetypus foi utilizado ao longo dos anos nas mais diversas culturas. Jung “popularizou” a palavra ao aplicá-la a sua ideia do inconsciente coletivo. O sentido como é empregado em toda a sua obra é que, os Arquétipos seriam imagens da camada coletiva da psique, porém dotadas de significado, cujo a origem vem desde os primórdios humanos. As imagens primordiais seriam, instintos ,impressões, vivências, que a humanidade gravou em sua mente  e relações desde o início de sua existência. Tomemos como exemplo a imagem universal da Mãe, a experiência acumulada ao longo dos anos e todas as alegorias a ela associadas, formam o papel social simbólico da mãe. Se tivermos que definir Mãe, teríamos que criar associações, pois o conceito de mãe é simbólico, ele não representa uma forma única, mas tem profundo significado inconsciente. Ao falarmos a mãe-terra, a grande-mãe, virgem-maria, a mãe de Deus, estamos nos referindo a imagem coletiva da mãe, e não a uma pessoa própria. Portanto percebe-se que estamos falando de símbolos novamente, a parte inconsciente da psique, não fala através de sinais, como as palavras, ou expressões numéricas lógicas, pelo contrário, sua linguagem é simbólica, ocorre através de impressões e expressões, sensações e sentimentos, parte do fenômeno para criação de seu significado. O arquétipo é a linguagem do inconsciente coletivo, é por meio dele, que podemos nos comunicar com o inconsciente, esse fato se expressa principalmente em sonhos, cujo conteúdo simbólico, emerge através de imagens, símbolos, dos quais não conhecemos conscientemente o significado, mas tem profundo poder transformador. Da mesma forma que ao se atribuir um significado específico a um símbolo, o mesmo deixa de o ser, o arquétipo assim se trata de conteúdos psíquicos que não foram ainda submetidos a elaborações conscientes. Portanto no aspecto que podemos compreender, os arquétipos são como símbolos, imagens universais, expressas e encontradas em toda humanidade que carregam forte significado. Por seu caráter primitivo e anímico, ele é presente em todo ser humano, herdado através de gerações como códigos genéticos do DNA, pois a psique do homem primitivo, se assemelha a do recém-nascido, está imersa no inconsciente, sua linguagem compreende a experiência e sua impressão interna, que foi vivida de geração em geração, por milhares de anos. 



O homem primitivo não se interessa pelas explicações objetivas do óbvio, mas, por outro lado, tem uma necessidade imperativa, ou melhor, sua alma inconsciente, é impelida irresistivelmente a assimilar toda experiência sensorial a acontecimentos anímicos. '' (C.G Jung, Os Arquétipos e o Inconsciente Coletivo; 2010). 

Entretanto existe no arquétipo uma parte oculta, que não podemos compreender, a sua verdadeira natureza não pode ser conhecida, a essência do que é um arquétipo, é tão abstrata como o conceito de Deus, onde até este seria um arquétipo, como IMAGO DEI. A parte visível do arquétipo, assim como símbolo, se dá somente através de algo já conscientizado. O conteúdo inconsciente intacto em sua forma, não pode ser expresso, nem se sabe se o mesmo existe em nossa compreensão de existência. Quando assume uma forma, Mãe, Herói, Espada, Deus, já se associou a camada do inconsciente pessoal e a consciência. 


O arquétipo representa essencialmente um conteúdo inconsciente, o qual se modifica através de sua conscientização e percepção, assumindo matizes que variam de acordo com a consciência individual na qual se manifesta.”. (C.G Jung, Os Arquétipos e o Inconsciente Coletivo; 2010). 


Pintura Om Budista Tibetano-  Tibetana Thangka

O arquétipo, não pode ser compreendido como um símbolo, ele é um conteúdo do inconsciente que, utiliza os símbolos como meio de manifestação. O símbolo tem seu valor como ponte entre dois mundos, pois habita tanto o real (signos) quanto o imaginário (significado). Portanto a essência dos arquétipos não é visível, uma vez que só temos noção de sua manifestação, mas podemos atribuir ao mesmo a qualidade de potência, algo que pode vir a ser, que tem a capacidade de. Sua real forma não pode ser manifesta, talvez até nem possua, Jung desenvolveu suas teorias por meio de estudos e observações empíricas, não adentrando, portanto, dentro de especulações metafísicas, se atentando somente ao fato, do fenômeno em si existir, mas se absteve de teorizações sobre um universo metafísico, para ele a ciência deveria se integrar e admitir tais fenômenos para estudo, por esse motivo sempre se considerou a psicologia analítica uma ciência. 

 Em resumo os arquétipos são conteúdos do inconsciente coletivo, que se manifestam através de símbolos, sua verdadeira essência não pode ser definida, bem como sua existência, mas a influência desses conteúdos em nossas vidas é tão palpável, explicita, sentida, vivida como qualquer outra função consciente, ou objeto concreto. Logo o símbolo é um arquétipo que pode ser percebido no espaço/tempo e o arquétipo seu contrário. Na camada mais profunda do inconsciente coletivo, o arquétipo não possui, forma, sentido, tempo, espaço, existência, ele é somente a potência, o potencial de ser algo, que não sabemos o que.

 Não tenho a pretensão de que ao ler este artigo, adquira conhecimento total sobre o tema, e compreendo que talvez não tenha entendido nada do que foi dito, o assunto requer mais do que apenas algumas páginas de Blog, sua complexidade é extrema, o que trago é apenas um resumo e a provocação. O que desejo é que através deste, o leitor fique incomodado. Exatamente, que este tema lhe incomode tanto, que fique com vontade de descobrir mais, ler mais, refletir mais, saber mais, viver mais. Que esse incômodo, seja no sentido positivo, que instigue uma movimentação em seu Eu, para buscar algo em si que desconhece, que no mínimo essas palavras toquem aquele sentimento de inquietude, que nos joga ao desconhecido, ao novo, que toda criança com sua alma pueril possui, a curiosidade. Até a próxima postagem! 


Gravura Japonesa o Tigre e o Dragão


 Referências 

 Durand, Gilbert. A imaginação simbólica. Edições 70, 2000.
 Harari, Yuval N. Sapiens: a Brief History of Humankind. Harper, 2015.
 Jacobi, Jolande. Complexo, arquétipo e símbolo Na Psicologia De C.G. Jung. Editora Vozes, 2016.
   Jung, C. G., et al. O Homem e Seus símbolos. Nova Fronteira, 2008.
 Jung, C. G., et al. Os arquétipos e o Inconsciente Coletivo. Vozes, 2000.
Maçaneiro M. O labirinto Sagrado: Ensaios sobre religião, psique e cultura. Paulus,2011.

 SITES 

https://www.dicionarioinformal.com.br/significado/s%C3%ADmbolo/4868/ https://caminhodasletras.wordpress.com/2011/02/06/signo-etimologia-decio-pignatari/ https://super.abril.com.br/ideias/koko-a-gorila-que-fala/

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