Pular para o conteúdo principal

Nosso mais novo artigo

ANIMES ON DEMAND

A GUERRA DOS STREAMING

O anúncio feito pela distribuidora de mídia asiática oriental Funimation Productions no dia 3 de Julho, durante FunimationCon 2020, consolida a era dos animes on demand e atinge os fãs brasileiros com êxtase e preocupação. A empresa americana fundada por Gen Fukunaga (ainda atual presidente) e sua esposa Cindy Fukunaga em 1994 é especializada em dublagem e distribuição de conteúdo asiático, com foco em animes. Inicialmente sua rede se estendia aos EUA e Canadá com a distribuição de diversos títulos conhecidos mundialmente como: Dragon Ball, One Piece, Cowboy Bebop , Akira e Attack on Titan. Entre idas e vindas, vendas e compras de ações, em 2017 a Sony Pictures adquiriu parte majoritária da Funimation e deu início a um ousado conglomerado mundial de animes. FUNIMATION GLOBAL GROUP
Imagem: Divulgação

No final do mesmo ano foi anunciado a consolidação de um empreendimento em conjunto composto por: pelas subsidiárias Funimation, Madman Anime Group/ Animelab e Wakani…

Quantum

Da Física a Psicologia, da Informação ao Digimundo


Bem-vindos, hoje trago a vocês um tema complexo, atual e digital, vamos juntos nessa jornada pelo mundo Quântico (Sim! Ele não é exclusivo do Universo Marvel). 

A Física, assim como a Psicologia e outras ciências, buscam respostas para os temas mais complexos da humanidade, a raiz desses questionamentos advém primeiramente, de conceitos e paradigmas, indagados pela Filosofia. Platão, Aristóteles, Hegel, Kant foram mentes que questionaram sobre a realidade de nosso universo, suas teorias são fontes de inspiração para perguntas que todos fazemos: o que afinal é real? Qual a origem de nossa consciência? O que é a vida? 

Com avanço científico a tecnologia pode evoluir de modo surpreendente, entretanto questões universais ainda continuam sem respostas. Diversas áreas do conhecimento buscam ao seu ponto de vista compreender o que nos cerca , de certo modo ainda inspiradas pelas ideias filosóficas antigas. Mas que idéias são essas? Vamos contextualizar uma das teorias filosóficas mais influentes dos últimos séculos, para tentar compreender, o X da questão.

Idealismo

O termo utilizado no meio filosófico se refere às representações mentais internas, que damos o nome de Ideia. O ideal para um filósofo é aquilo que pode ser pensado ou imaginado, é atributo imanente da mente humana, ou seja a idealidade só existe para a filosofia dentro da consciência humana. Através dessa construção surgem diversas correntes de pensamento que visam descobrir as origens das ideias e suas manifestações. Alguns Filósofos como Platão creem que o ideal existe no mundo das idéias, independente do ser humano, ou seja, uma realidade própria, o Mito da Caverna é um exemplo clássico, que Platão utiliza para esclarecer esse conceito. Em outras palavras o Idealismo afirma que as ideias são realidade fundamental e a única coisa que podemos conhecer é a nossa consciência, portanto o mundo material fora dela não pode ser tido como real, ou mesmo existente (Lembrando que existem diversas correntes idealistas, para Kant por exemplo, o fato de percebemos através dos sentidos o mundo material prova que o mesmo existe, entretanto não podemos conhecê-lo como é de fato, devido às limitações de nosso corpo físico). É de dar Bug na mente, se pararmos para pensar durante cinco minutos sobre o assunto já encontramos diversos paradigmas, como os a seguir: 

O que vem primeiro a ideia através do conhecimento de algo, ou seja, do material, ou o material é identificado através da ideia preexiste a ele? Ao fechar os olhos e imaginar uma árvore, sabemos o que é, pois temos a ideia dela, mas como saber se a árvore é uma árvore? São seus atributos que caracterizam o que ela é? Quem falou que sua cor é verde, sua textura áspera? Para Kant as cores, sensações, as qualidades materiais, não são atributos da mesma, mas sim da ideia que temos dela. O que nos leva também a pensar, se a ideia é algo característico da consciência ou algo que existe além dela, é um atributo ou condição? Existe sem consciência? As possibilidades e teorias são infinitas.


Muito Matriz, não? Embora sejam apenas especulações teóricas, a Filosofia já foi no passado a mais avançada ciência, não é à toa que ela é a Mãe de todas as demais. Até hoje tentamos através da Física, Psicologia, Matemática, Biologia, Química desvendar as questões fundamentais levantadas pelos Filósofos antigos. O que nos leva a questão da Física: De que raios é feito, ou, qual a origem de nossa realidade? Do Universo? Os Físicos é claro, também tem suas teorias. 

Quantum 


A Física Moderna é tida como período de transição em que novas concepções em contrapartida a visão mecanicista Newtoniana começam a emergir. O grande impacto veio após uma série de experimentos que colocaram em dúvida a ideia mecanicista de que, as leis que regem o Macrocosmo haveriam de reger o Microcosmo. Os experimentos demonstraram que talvez não fosse bem assim, as partículas possuíam um comportamento diferente do esperado pela Física Clássica. Nomes como Einstein, Planck, Heisenberg, Young, Bohr, revolucionaram o campo da Física com suas teorias sobre o universo, derrubando algumas leis consideradas unânimes da era Newtoniana ( a contribuição de Newton é inegável e seus conceitos são utilizados até os dias atuais , não devendo ser vistos como algo descartável).

Em meio a novas concepções surge a Física Quântica ( Não esperem aqui explicações extraordinárias, pois esse tema é extremamente complexo e nunca fui bom em física na escola), com alicerce nas novas descobertas do Séc XX . A palavra Quântico deriva do latim Quantum que significa quantidade, esse ramo da Física estuda principalmente os fenômenos que ocorrem nas partículas atômicas e subatômicas ( átomos, elétrons, nêutrons, prótons, fótons, quarks). É interessante pontuar um fato sobre a Física Quântica, diferente da clássica ela é não “intuitiva’’, pois até o período clássico grande parte dos conceitos desenvolvidos pela física surgem de especulações e intuições sobre a observação de nosso meio, entretanto, no universo quântico algo pode ser verdadeiro sem que aparente ser, indo muitas vezes contra a lógica humana. Leis como da inércia, gravidade, ação e reação não se aplicam as micropartículas, o que coloca em questão novamente nossa realidade. Ora se o macrocosmo é composto por micropartículas e estas têm funcionamento e comportamento diferente dos efeitos do macro, encontramos um grande problema lógico para física responder. Afinal, o que vivemos é realidade? Ou nossa consciência vê aquilo que deseja? E se a consciência, for ativa no processo da criação da realidade?  Na Física Quântica isso é possível. Vamos a dois exemplos de teorias já comprovadas por experimento:




Dupla Fenda 

O experimento demonstrou a dualidade onda/partícula. O Elétron era considerado pela física uma minúscula matéria, em termos leigos é como se fosse um grão de areia menor que um átomo. Para compreender experimento imagine uma arma de paintball, o elétron sendo a munição, você irá atirar através de duas fendas(como na imagem abaixo)e ao fim delas existe uma parede branca. Por ser uma matéria, cuja a característica é ser sólida e quase indivisível, imaginamos que a parede ficará manchada de tinta da seguinte forma: 



Mas o que os físicos descobriram foi que a parede ficava manchada assim: 



Exatamente igual a um padrão de interferência de uma onda. Quando atiramos uma pedra na água, ondas se formam, se jogarmos outra pedra próxima, irá se formar outras ondas, que se juntam com as anteriores ou se dividem em duas, isso é um padrão de interferência. Todavia ao contrário de uma matéria a onda é uma particulado de luz, feita de energia, não é sólida. Os físicos pensaram que o elétron então se comporta também como uma onda. O que por si só é um paradoxo, como algo pode ser energia e matéria ao mesmo tempo? Felizmente a história não termina por aí. Decide se colocar um sensor, para verificar por qual fenda o elétron passa, realizar sua medição e verificar o que ocorre com ele após passar pela fenda. Para surpresa de todos o elétron voltou a se comportar igual a primeira imagem, como matéria.Surge então a teoria do efeito observador. Essa teoria afirma que, o elétron se comporta de maneira diferente quando está sendo observado, ou quando se tenta medi-lo, em outras palavras quando observado é forçado a tomar uma decisão e opta por escolher qual fenda passar. Enquanto quando ninguém o observa ele se comporta como onda, ou seja, cria diversas possibilidades. 

Entrelaçamento Quântico 


Afirma que dois elétrons tem a capacidade de trocar energia entre si, se “entrelaçando”. Ocorre uma troca de informações, se um elétron estiver por exemplo com carga X o outro estará com carga Y. Porém o interessante desse experimento não é o entrelaçamento em si, mas a distância em que pode ocorrer essa troca de informações. Não há distância! Exatamente, quilômetros, galáxias, anos-luz, os elétrons de alguma maneira trocam informações de forma imediata, instantânea, mais rápida que a velocidade da luz. Os resultados deste estudo deram origem a teoria da não-localidade, no qual as pequenas partículas não dependem do espaço para se comunicar. Entretanto os físicos ainda não sabem explicar como isso ocorre, mas o fenômeno existe. 

No mundo subatômico, os elementos se comportam como energia e matéria ao mesmo tempo, e trocam informações (Grave bem isso, pois será importante mais a frente no artigo) entre si de forma imediata. Mas o que tudo isso tem haver com psicologia e a consciência? 

Energia Psíquica 



Jung teve forte influência da Física em suas teorias, ele percebeu a estreita relação entre as duas áreas do conhecimento e que ambas poderiam se complementar. Coincidentemente ele foi contemporâneo ao surgimento da Física Moderna, e as “idéias quânticas’’. Teve como paciente Wolfgan Pauli, importante Físico, que ficou fascinado pela psicologia analítica, ele e Jung trocaram cartas que ficaram conhecidas como Átomo e Arquétipo. Entretanto, talvez por questão de temporalidade, Jung não utilizou os conceitos da Física Quântica no desenvolvimento de sua psicologia, explorando apenas conceitos da Clássica. Porém nada o impediu de chegar a conclusões sobre a mente humana com muitos pontos em comum com a nova Física. As teorias do efeito observador e não localidade podem servir de base para explicar aquilo que Jung deu nome de Sincronicidade, segundo ele, esse é um fenômeno que conecta de algum modo fatos distintos, sem ligação aparente, entretanto que possuem significado a quem o observa, ocorrem sem a interferência do Espaço/Tempo. Existiria um sincronismo, entre os fenômenos da psique e o mundo externo. Se na física quântica é possível admitir que uma partícula contém a informação de todo universo e a mesmas podem se comunicar independente da distância, podemos admitir que a consciência humana de algum modo está em ressonância com os fenômenos universais, existe uma conexão entre as informações, que nos leva ao último assunto do artigo. 

A Teia de Indra 


Foi dito que, a Física Quântica não é tão intuitiva como a clássica, que suas concepções não podem ser alcançadas apenas pela observação do meio e a lógica convencional, entretanto aos estudarmos mitos antigos percebemos que talvez o mundo quântico seja mais intuitivo do que aparenta.

Indra é o Deus, governante supremo da cultura Hindu, um texto antigo chamado Avatamsaka Sutra descreve sua morada celestial. Nesta existe uma rede infinita, que se estende a todas as direções, gerada pela vontade do Deus, em cada conexão da rede a uma joia, infinitamente facetada e polida. Essa reflete em cada uma de suas facetas, às faces de todas as outras infinitas jóias, não somente isso, mas cada uma das jóias refletida nessa única jóia também está refletindo todas as outras de modo que há um processo de reflexão infinito, onde a alteração de qualquer jóia, altera imediatamente todas as demais.Os Budistas e Hindus utilizam esse conceito para exemplificar a ideia de conexão, sincronicidade com universo, onde da mais pequena partícula, até a maior galáxia, tudo está de algum modo entrelaçado, e os eventos que ocorrem afetam o todo. Esse mito se assemelha muito às concepções da física quântica, onde parece haver uma rede que conecta independente de espaço/tempo as partículas subatômicas. A incógnita está não apenas em como, mas o que, nos conecta. Existe algum tipo de energia invisível, que nos rodeia? o famoso Ki, a Mana, Chi, Prana, Pneuma, Espírito. Jung dedicou um livro a explicar seu conceito de energia psíquica, nesse é dito algo interessante sobre energia: 

 “ A ideia de energia não é a de uma substância que se movimenta no espaço, mas um conceito abstraído das relações de movimento. Suas bases não são as substâncias como tais, mas suas relações, ao passo que o fundamento do conceito mecanicista é a substância que se move no espaço.” (JUNG - A energia psíquica) 



A psique humana segundo Jung, é um sistema de energia parcialmente fechado, onde a energia do sistema se conserva, seus conteúdos seguem princípios como a equivalência e compensação, tudo para manter a homeostase. Para Jung entretanto o termo energia, não era considerado a melhor expressão, o que ele queria demonstrar, é que existe na psique, uma conexão entre os conteúdos, que ao se movimentarem, afetariam todo o sistema, assim como na Teia de Indra. Uma pessoa extremamente racional, pragmática, sistemática, com tendência a unilateralidade da consciência, ou seja, concentração de energia psíquica em determinado ponto da psique, tem como consequência, uma ação compensatória do inconsciente que busca a distribuição de fluxo e equilíbrio da mente. Uma energia equivalente emerge para estabilizar o sistema, pesadelos são exemplos, indícios de conteúdos inconscientes que emergem, frente a tendência obsessiva do consciente.

Logo a psique formada por conteúdos, informações sensoriais que possuem valor subjetivo é conectada por uma rede complexa de relações. Essa conexão invisível e de difícil mensuração poderia ser atribuída a “energia psíquica”. Parece que tanto a física, psicologia e a ciência como um todo, ainda tem muitas questões a responder, talvez nossa noção de realidade possa mudar frente a novas descobertas nesses campos. A energia como algo que não se desloca no tempo/espaço lembra muito o conceito de informação, onde os conteúdos transmitidos tem caráter entrópico, até o momento que algo à organiza, codifica e dá significado a ela, talvez aquilo que mova tanto o universo, quanto a psique seja a informação e significado. Mas esse é um assunto para a segunda parte deste artigo. Poxa, mas e Digimon? Na próxima postagem iremos tratar da relação entre o anime e toda essa loucura de conceitos, aparentemente jogados e sem sentido. Até a próxima!


REFERÊNCIAS


Cox Brian; and Forshaw Jeff. O universo quântico: tudo que pode acontecer realmente acontece.Editora Fundamento,2017.
Filho, João Bernardes da Rocha Filho . Física e Psicologia: as Fronteiras
Do Conhecimento científico Aproximando a física e a Psicologia Junguiana. EDIPUCRS, 2003.
Jung, Carl Gustav, and Brigitte Dorst. Espiritualidade e transcendência. Editora Vozes, 2015.
Jung, C. G., and Mateus Ramalho Rocha. A Energia psíquica. Vozes, 2008.

SITES

Comentários

Postagens mais visitadas