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CAROLE E TUESDAY

A linda animação que propõe uma reflexão profunda sobre conexão entre Música e Alma
Imagem/Divulgação
Com um projeto de animação em cores vivas e cenários deslumbrantes, o anime produzido pelo estúdio Bones e dirigido por Shinichirō Watanabe (Cowboy Bebop e Samurai Champloo) e Motonobu Hori, navega por uma civilização recém futurista, em que o planeta terra está em colapso e aqueles com melhores condições sociais habitam Marte, onde robôs e máquinas com I.A (Inteligência Artificial) são parte comum do cotidiano. 
Toda a história tem como base a música e sua conexão profunda com a alma humana. Todavia neste futuro  as artes, em especial as músicas são criadas com tecnologia avançadas I.A. (inteligência Artificial), comandadas por empresas do entretenimento. 
As personagens principais da série são de mundos divergentes, Tuesday é parte da classe nobre Marciana, presa a imagem da mãe que vive pelo status social. Enquanto Carole é uma órfã abandonada pelos pais imigrantes do planeta …

O FUTURO DOS ANIMES

Parecer crítico sobre o atual investimento de plataformas de Streaming como a "Netflix" no mercado de Animes, ou simplesmente: E agora Netflix? 


Na última década a popularidade dos animes, mangás e cultura japonesa em geral cresceu consideravelmente , principalmente nas Américas (Brasil, EUA, México, entre outros). A razão para tal são muitas, que incluem a globalização, o mais fácil acesso a informação e conteúdos do exterior, ao recente sucesso da cultura Geek com o renascer dos heróis no cinema, as novas tecnologias e meios de comunicação de streaming como Crunchyroll, Netflix, Amazon e claro, a dedicação dos imigrantes japoneses na disseminação da cultura mundo afora, em especial aqui no Brasil, que tem a maior comunidade japonesa fora do Japão. Esse intercâmbio cultural tende a se intensificar ainda mais com as olimpíadas no Japão em 2020. Com o aumento da demanda, é comum mercados de entretenimento investirem nesse ramo, a Netflix com sua ousadia e investimento em produções originais é um exemplo. Criada em 2012 com intuito de ser uma “locadora” de filmes online, a empresa começou de forma discreta trazendo filmes populares, que já passavam na TV paga. Com passar do tempo a empresa decidiu investir em produções originais, de séries, filmes e documentários. Resumo da história, hoje a Netflix é uma empresa que vale mais que a rede de alimentos McDonalds. O número de assinaturas no Brasil chega a mais de 8 milhões e ultrapassa faturamentos de canais como SBT e assinantes da NET e Claro. Ao redor do mundo possui mais de 137 milhões de assinantes. (Números do último Trimestre de 2018). 



A soma foi simples, cultura jovem mais produções originais para todos os gostos, BUM! Animes originais. Começou da mesma forma que os filmes, primeiro com fechando contratos para distribuição de conteúdo em sua plataforma em seguida, com maior capital a fase de produção original. Recrutando produtores renomados e talentosos e firmando parcerias com gigantes desse universo, como a TOEI animation. Dessa parceria recente que foi produzido a nova versão dos Cavaleiros dos Zodíaco. Mais uma vez Netflix apostando em nostalgia e novidade, trazendo aos fãs a aquela sensação de estreia novamente. 


Mas essa é a história do mercado americano de entretenimento, e o mercado do Japão? Até meados de 2000 o mercado de animações japonesas não era aberto, nem pensado para exportação. Era algo característico e restrito apenas ao povo japonês, com poucas exceções. Somente após o sucesso da série Naruto e o filme cinematográfico A Viagem de Chihiro que os japoneses perceberam, o lucro que os animes poderiam render também ao redor do mundo, bem como, servir de disseminação de sua cultura, para além da culinária, música e tecnologia. A partir desse momento algumas produções começaram a ser pensadas para consumo também no exterior. Mesmo com o mercado um pouco mais aberto (ainda focado nos estúdios e artistas japoneses) esse meio não foi o mais lucrativo nos últimos anos. Devo dizer certamente que a parceria dos estúdios com a Netflix produções foi um grande respirar. Embora o sucesso dos animes seja inegável, esse mercado no Japão não é tão lucrativo assim. Se formos começar desde o primeiro processo, da produção do Mangá até o Anime, a uma grande caminhada. No Japão existem diversos estúdios , grandes e pequenos onde Mangakás são contratados por suas histórias e ficam horas a fins desenhando e desenvolvendo os enredos de seus personagens, com prazos curtos para publicação. Caso o sucesso em vendas do mangá seja relevante e os estúdios achem interessante, que o mesmo ganha uma adaptação em Anime. A partir desse momento começa outro processo de produção. A distribuição e transmissão de animes na TV, não são a fonte de renda principal dos estúdios. O lucro está na venda de action figures, DVDs, materiais escolares, e toda e qualquer coisa revertida em dinheiro através da marca. Pois em termos de distribuição de anime existe muita pirataria, devemos lembrar que o Crunchyroll, surgiu após a queda de sites como Anitube, Megaupload entre outros diversos sites de distribuição ilegal de conteúdo. Portanto o mercado de animação japonesa não estava tão em alta nos últimos tempos. O que pode vir a mudar com parceiras com a Netflix e outras empresas como Amazon Prime, que possui um catálogo relativamente grande de animes. 

Mas fica a pergunta, a entrada e investimento de empresas e plataformas de streaming, com foco na Netflix(que tem sido pioneira) na indústria dos animes, é bom? Vamos ao prós e contras. 

Contra 

 Visão Americanizada 


Visto o documentário da Netflix - Universo Anime, fica claro que os Americanos não tem uma visão tão profunda ou esclarecida sobre a cultura dos animes e japonesa em geral. Uma visão superficial, que só é compensada pela escolha dos produtores, em sua maioria grandes nomes dos animes no Japão, que carregam consigo a cultura de sua terra natal e a vontade de produzir novos conteúdos.

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Liberdade Criativa 


Por se tratarem de produtores experientes e talentosos, a Netflix permite a eles bastante liberdade criativa, investindo até em novos talentos. Com isso podemos esperar uma mescla maior e mais ousadia nos conteúdos dos animes, com temáticas e traços diferentes, explorando outras horizontes, dando origem a novas formas de fazer animação. Mais animes como Afro Samurai seria bem animador. 

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Pluralidade Cultural 

Com a abertura do mercado para o exterior, se espera uma maior diversidade cultural sendo apresentada nos animes. Novos artistas, novas histórias, novos fãs, onde todos possam se sentir representados através dos personagens. 

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Oportunidades 

O investimento também abre portas a novos talentos, produtores não tão famosos no Japão, ou fãs que tem a habilidades para produzir bons conteúdos, as possibilidades são infinitas.Com oportunidades para produtores de origem não japonesa, de diferentes sexos e etnias. Existem diversas produções de séries Brasileiras de sucesso na Netflix, quem sabe não surge um Anime Brasileiro ai.

Contra 

Ocidentalização

 

Continuando sobre a visão americana, é capaz que existam ajustes nos enredos, falas e personalidade dos personagens para se melhor ajustarem aos padrões ocidentais. Como exemplo de Cavaleiros dos Zodíaco, onde Seiya é cheio de graça e anda de Skate, ou Ultraman, onde é difícil não realizar uma comparação com Homem de Ferro. Uma visão Hollywoodiana dos enredos, que os reboots de animes podem sofrer, algo que já acontece e sempre aconteceu com as versões de cinema americano de clássicos como Godzilla, Ghost in the Shell, Dragon Ball e o também recente Death Note.  

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Reboots 


Todos querem ver seus animes antigos ganhando vida novamente (meu sonho é a Netflix resgatar Lost Canvas com todo elenco de produção original). É empolgante saber que aquele anime que gostava vai ter cara nova, com parcerias fechadas com estúdios de animes, podemos esperar muitos remakes e reboots de series antigas, quem sabe um Samurai X, Sakura. Entretanto o dúvidas em relação a essas releituras de historias originais nos levam ao próximo tópico. 

Contra

Muitas mudanças nos enredos originais


Algumas adaptações foram muito questionadas, pelo mudança dos enredos originais e o excesso de adaptações aos padrões americanos. Onde a essência do personagem pode perder o sentido e ferir a ideia original para os fãs mais ortodoxos. Embora seja ponto de crítica, esse é um dos objetivos dessas produções, pois o público alvo não é mais somente o povo japonês, a Netflix quer conversar com o novo, com as futuras gerações(Sim, você está velho). 

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Animes para todos 

Embora os animes e mangás já possuam um vasto público(jovens, mulheres, homossexuais,adultos, etc) as produções são voltadas ao povo Japonês e sua cultura. A adaptação e produção de séries que exploram outras temáticas e culturas, aumenta o raio de alcance do público dos animes para diversas nações. 

Contra 

Fãs Fake 

Infelizmente como tudo que se torna muito popular a qualidade tende a diminuir. Teremos pseudo fãs que não entendem muito sobre o assunto e são levados pelas opiniões generalizadas em torno das coisas. Isso é comum em qualquer meio que cresça bastante. É algo que os fãs de animes podem superar. 

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Propaganda e Marketing


Por oferecer seu serviço em diversos países a Netflix e outros veículos de streaming passam a ser um cartão de visita ao Japão. Prós Turismo A disseminação da cultura Japonesa só tende a crescer, com sua riqueza o Japão exporta não apenas seus bons hábitos, mas também a culinária, música, vestimentas e claro animes. Que são um forte cartão de visita ao Japão, que está de olho em Turismo, uma vez que as olimpíadas em Tóquio se aproximam, logo já em 2020. 

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Otakus dominando o mundo

Mais fãs de animes, imaginem um mundo inteiro de fãs, e antes de falar da impossibilidade desse argumento, vale lembrar do recente sucesso da Marvel, que fez ressurgir os heróis dos quadrinhos que até então estavam à beira da falência. Quem hoje não conhece o Homem de Ferro, Doutor Stranger e o Pantera Negra. Admita você só conhecia o Homem de Ferro por causa do Marvel vs Capcom.


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Mais investimento no setor 

Com o aumento do público e o sucesso de produções, podemos esperar também cada vez maiores orçamentos para produção de animes. O que é excelente, uma vez que muitos deixam de lado a qualidade dos episódios ou o projeto do anime em si (obviamente por questões de prazos também) por causa de orçamento, logo talvez seja mais difícil o cancelamento de séries por causa de problemas financeiros. 

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Resgate

 

Recuperação de Animes, assim como séries canceladas que são resgatadas pela Netflix, animes que podem ser cancelados ou tem seus projetos parados podem ser resgatados também. (Torcendo para a Netflix salvar One Punch Man). 

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Adaptação às diferentes realidades 

No Japão os canais de TV e sua programação ainda tenham grande público, em outros lugares do mundo como no Brasil essa afirmação já não se torna verdade, os números demonstram que cada vez mais assinantes têm preferido plataformas de streaming e serviços de internet, ao invés da velha e boa programação da TV. No Japão existem diversos canais que passam a programação de animes, no restante do mundo isso não ocorre, poucos canais tem espaço para esse tipo de entretenimento. Com o despontar e interesse não só da Netflix mas outras empresas como Crunchyroll, Amazon prime e quem sabe Disney + em animes, a tendência é que a distribuição em grande escala desses conteúdos seja por esses meios ao invés da televisão paga. A vantagem, ver animes com facilidade, qualidade de imagem, e disponibilidade em diversos idiomas, com possibilidade de transmissão quase simultânea com os lançamentos do Japão.

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À la Streaming 

Animes lançados à maneira streaming, todos sabem como é apertado o prazo para entregar 1 episódio por semana, o que às vezes ferra com a qualidade do material entregue, em plataformas de streaming esse problema se torna menor, pois as temporadas são lançadas de uma vez, com todos os episódios, ou seja, somente com a produção pronta e bem realizada. E nada de esperar 1 semana para ver o que vai acontecer com o seu personagem.

Contra 

Menos episódios por temporada 

O que pode também ser um fator ruim, pois feito dessa forma a tendência é que cada temporada tenha menos episódios e o tempo de espera para a próxima é relativamente grande. E a ansiedade continua... 

Pró/Contra 

Concorrência

 

É sempre uma faca de dois gumes, embora tenha fechado parceria com a Toei, estúdios pequenos podem vir a sofrer com a concorrência com a grande Netflix, o que já acontece dentro do Japão, onde estúdios menores concorrem com maiores e tem pouco orçamento para suas produções, apostando em conteúdos muito originais e fora do comum. O lado positivo é que com a injeção de investimentos na área podem surgir mais estúdios independentes com produções originais e ousadas. Não há como saber, não sou economista. Mas também não podemos esquecer da Crunchyroll, Amazon Prime e por que não Disney +, imagina a Disney investindo pesado em Animes! Animes Universe, a MCU dos animes. Sonho!

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Mais animes

Mais Influência na cultura pop, mais dinheiro, mais Animes! O Catálogo das plataformas de streaming só aumenta, com maior público podemos esperar mais adaptações de filme e séries. Claro, não há garantia que os filmes e animes irão agradar aos fãs, mas podemos esperar coisas boas por ai. 

Crítica 

Aberturas discretas 

As aberturas de animes e séries originais da Netflix são muito discretas, não trazem aquela ação e arrepio na espinha, ou a emoção que uma abertura calorosa deve ter, nisso os estúdios japoneses são incríveis, os detalhes e trilha sonora de cada abertura de anime é sensacional. Vamos melhorar isso ai Netflix! 

Por fim devemos salientar a mesclagem cultural como consequência de parcerias e provavelmente um novo mercado de produções com novas tendências, tecnologias e temas. A policultura é sempre bem vinda, pois cria, soma, e traz o novo. O Japão sabe como ninguém lidar com os EUA, já demonstraram isso diversas vezes e podemos esperar que com os animes não será diferente. Duvido que aja banalização dos animes, o que temos é um fenômeno acontecendo, onde o mercado de animações Japonesas está se abrindo para o mundo, que como demonstrado, tem seus prós e contras. No que isso vai dar? Ninguém sabe. A Netflix ainda tem um longo caminho de organização, até realmente compreender a complexidade de criação desse universo.Só sabemos que nunca foi tão bom ser um Geek e/ou Otaku nesse mundo. 

 Referências 

https://mundo-nipo.com/cultura-japonesa/historia-do-japao/07/03/2019/5-paises-com-a-maior-comunidade-japonesa-fora-do-japao/ 

https://natelinha.uol.com.br/noticias/2018/03/07/netflix-supera-valor-de-mercado-do-mcdonalds-e-se-aproxima-da-disney-115028.php

https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2019/01/netflix-tem-recorde-de-assinantes-mas-receita-cresce-menos-que-o-esperado.shtml

https://canaltech.com.br/resultados-financeiros/netflix-bate-marca-de-137-milhoes-de-assinantes-e-receita-de-us-113-bi-no-ano-124914/

https://entretenimento.uol.com.br/noticias/redacao/2019/05/16/netflix-amazon-e-crunchyroll-e-o-milagre-da-multiplicacao-dos-animes.htm

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