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MY HERO ACADEMIA: O FENÔMENO HÉROI

O fascínio pelo arquétipo do herói e a ameaça de sua sombra como modelo social.

My Hero Academia é um obra em mangá escrita e ilustrada por Kōhei Horikoshi e adaptada para Anime em 2016. A série se firma como um dos animes mais populares e influentes dos últimos anos. Os eventos acompanham a história do jovem Midoriya como um aspirante a Herói profissional em um mundo onde super poderes são parte do cotidiano.

A fórmula narrativa do super-herói, parece ser o segredo para o sucesso de qualquer processo criativo da última década. Após o estrondoso êxito da Marvel em seu universo cinematográfico, foi desencadeado um coletivo interesse pelo tema, que não demorou a chegar em outros setores de entretenimento.

Embora dialogue com a atualidade, a imagem do herói como símbolo já é antiga na história humana. O conto mais antigo da humanidade (2.100 a.C), escrito em forma de poesia, A epopeia de Gilgamesh, narra a história do rei Gigante, que em seu caminho enfrenta os mais diversos desafios com…

ANIMEMANIA

Como e por que os desenhos japoneses estão se tornando um fenômeno mundial.

Foto: Divulgação Netflix

Anime é um termo que se refere a animações de origem japonesa, entretanto com recente panorama da cultura midiática, que perpassou por grandes mudança nas últimas décadas, será mesmo que essa categoria de desenho pode ser estar “presa” somente dentro do contexto Nihon? 

Atualmente plataformas de Streaming como a Netflix, Prime Vídeo, Crunchyroll são responsáveis por transmitir a um clique de distância grande parte dos conteúdos de entretenimento visual do extremo oriente. Essa realidade vem conquistando cada vez mais espaço dentro do mercado de produções audiovisuais. A tendência segue uma demanda que surgiu já nos anos 70, com a ascensão do cinema asiático, em especial o de Hong Kong com suas alucinantes produções de filmes de ação e Kung Fu, à la Bruce Lee. Em seguida na década de 90 e 2000 o despontar de séries e músicas japonesas, que possuem uma legião de fãs no Brasil, atualmente podemos citar a febre da juventude, o estilo coreano musical conhecido como K-pop, a exemplo da contemporânea banda BTS. 


A esquerda cartaz filme Bruce Lee, no centro a obra Akira e à direita a banda coreana BTS.

Em 2016 a Netflix em parceria com Production I.G, anunciou a produção de seu primeiro anime totalmente original, Perfect Bones (Posteriormente chamado de B: The Beginning), que teve transmissão simultânea para 190 países com todos os episódios da primeira temporada lançados de uma só vez, algo inédito nesse universo. Esse evento marcou uma transição dos conteúdos japonês de animação no cenário mundial das plataformas de streaming. Um certo alívio aos profissionais desse mercado, que há anos vem sofrendo com crises financeiras e carência de investimentos no Japão.

Hoje a Netflix conta em seu catálogo com 102 animes sendo 40 deles produções originais. A concorrente Prime Vídeo tem em seu portfólio 46 animes e uma produção original lançada esse ano. E a famosa plataforma Crunchyroll especializada somente nesse mercado possui mais de 1000 títulos, alguns com transmissão Simulcast. 



A esquerda anime original Netflix, à direita Blade of the Immortal adaptação original Prime Vídeo

Para além de números em catálogos e concorrência entre empresas, tratamos de um fenômeno emergente em escala mundial. Henry Jenkis em seu livro Cultura da convergência, disserta sobre os múltiplos suportes midiáticos e a complexa realidade que surge pela interação de informações, dos diversos públicos. Onde as mídias alternativas, corporativas e antigas se convergem de maneira imprevisível. 

 “ No mundo da convergência das mídias, toda história importante é contada, toda marca é vendida e todo consumidor é cortejado por múltiplos suportes de mídia “ 

 Jenkis,2009. 

O mercado de entretenimento não está imune a esse episódio cultural ao qual Jenkis se refere, pelo contrário, é um dos principais atingidos. Em 1980 quando falamos de Animes, esse era um campo tão obscuro e alternativo para o ocidente, que poucos sabiam ou compreendiam realmente os traços culturais japoneses envolvidos por trás dessas histórias. A informação demorava dias, meses, anos para ser transmitida aos quatro cantos do mundo. Hoje falamos de transmissão simultânea, filmes cinematográficos e produções originais com parcerias estrangeiras nesse universo de produções. 

Os fatores que explicam o sucesso desse quadro crescente são diversos. Os animes se estendem a vários públicos, desde o infanto-juvenil ao adulto. Os personagens das histórias assumem papel inspirador, arquetípico e simbólico para nação a japonesa, expressivo o suficiente para que, seus ídolos animados sejam eleitos representantes de grandes eventos como, por exemplo, as Olimpíadas de 2020 que será sediada na terra do sol nascente. 



As temáticas abordadas têm profundidade e contextos éticos e morais que permeiam a sociedade. Amizade, superação, violência, romance, conflitos políticos, históricos, sociais. Assuntos que levam o expectador a uma identificação com o produto. A economia afetiva é um fator que perdura e tem forte influência sobre o consumidor. Alguns estudos já apontam para importância desses conteúdos e sua influência na identidade do público jovem, utilizando a mídia audiovisual como um meio para compreender o mundo de representações e significados atribuídos. 

O produto final pelo qual o acesso a esses conteúdos e sua convergência cultural, vai nos propiciar nos próximos anos é extenso e imprevisível, podemos somente ter um leve vislumbre de uma policultura, onde mais e mais produções com características distintas serão produzidas para agradar o mais diversificado consumidor, o famoso Many to Many. 

Essa realidade é capaz de tornar, em um futuro próximo, os Animes uma categoria não restrita ao Japão. Presenciamos com as recentes produções originais, a aproximação cultural com o Oriente e o desenvolver de um gênero, um modo de fazer animações específico, que tem influencia no padrão de animações japonesas aplicado no contexto de outras culturas. O recente documentário propagandista da Netflix, Enter The Anime, demonstra a realidade das parcerias entre os estúdios de animação e produtores de outras nacionalidades, que carregam junto de si, a bagagem cultural de sua nação, sua história pessoal, vivências e impressões de mundo. 

O que não falta é público e investimento, o Brasil já demonstrou ser um país “pote de ouro” para as empresas que oferecem o serviço de streaming. Possuímos um povo heterogêneo e consumidor, sendo um dos países que mais consomem produtos da cultura nipônica. Quem sabe não podemos ver futuramente produções Brasileiras de animes nas telinhas do celular? 


                                                                     
Foto: Mossholder/Unplash

Referências  


Santoni R. Animes e mangás a identidade dos adolescentes. Universidade de Brasília.2018

Oliveira L C.Influência dos animes na escolha do japão como destino turístico. Universidade Federal Fluminense.2018

Araújo M; Urbano K. Os novos modelos de distribuição e consumo de conteúdo audiovisual asiático nas redes digitais: o caso dos dramas de TV na Netflix.br. Universidade de São Paulo.2017

H. Jenkis.Cultura da convergência. Editora Aleph.ed.1;2009

 Sites


https://br.ign.com/netflix/17386/news/netflix-anuncia-seu-primeiro-anime-totalmente-original

https://www.tecmundo.com.br/netflix/88888-netflix-comecar-produzir-proprios-animes-filmes-bollywood.htm 

https://www.omelete.com.br/series-tv/goku-e-nomeado-embaixador-dos-jogos-olimpicos-de-2020-no-japao

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