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ANIMES ON DEMAND

A GUERRA DOS STREAMING

O anúncio feito pela distribuidora de mídia asiática oriental Funimation Productions no dia 3 de Julho, durante FunimationCon 2020, consolida a era dos animes on demand e atinge os fãs brasileiros com êxtase e preocupação. A empresa americana fundada por Gen Fukunaga (ainda atual presidente) e sua esposa Cindy Fukunaga em 1994 é especializada em dublagem e distribuição de conteúdo asiático, com foco em animes. Inicialmente sua rede se estendia aos EUA e Canadá com a distribuição de diversos títulos conhecidos mundialmente como: Dragon Ball, One Piece, Cowboy Bebop , Akira e Attack on Titan. Entre idas e vindas, vendas e compras de ações, em 2017 a Sony Pictures adquiriu parte majoritária da Funimation e deu início a um ousado conglomerado mundial de animes. FUNIMATION GLOBAL GROUP
Imagem: Divulgação

No final do mesmo ano foi anunciado a consolidação de um empreendimento em conjunto composto por: pelas subsidiárias Funimation, Madman Anime Group/ Animelab e Wakani…

OS MANGAKÁS NO BRASIL : Cah Poszar


Entrevista ao blog PsiqueAnime, com a Designer, Desenhista e Mangaká Brasileira, autora da obra Teerra & Windy.

                                                                     Foto: TIM WELL

Muito escrevo sobre o mercado de mangás e a indústria editorial japonesa, uma verdadeira potência quando falamos em relação a venda de quadrinhos, produção de animações e ritmos musicais. É inegável a influência mundial que o estilo japonês de entretenimento possui, principalmente no Brasil, onde existe uma gama de fãs e consumidores amantes dessa cultura.

Todavia algo que ainda é pouco valorizado em no país, são as a produções originais de nossos brilhantes artistas na área de quadrinhos, em especial os mangás. Há poucas produções conhecidas pela população, muitas são baseadas nos clássicos mangás e universo nipônico, outras trazem uma mistura de elementos da cultura oriental, com medieval, contas de fadas, jogos de RPG e em alguns casos mitos Brasileiros.

Os mangakás brasileiros, como são conhecidos, existem aos montes, podemos citar dentro deste universo de profissionais os famosos e premiados Érica Awano e Marcelo Cassaro com sua obra publicada Holy Avenger, sucesso nos anos 2000. Kamiya Yuu(Thiago Furukawa) de No Game no LIfe, o primeiro Brasileiro a fazer sucesso como mangaká no Japão. E mais recente temos títulos como Sigma Pi, um Shoujo mangá de Yumi Moony(Adriana Yumi). Aos poucos também crescem os estúdios voltados a esse segmento no Brasil, como Studio Seasons, Studio PBR, Futago Estúdio e o que dizer sobre a Mauricio de Sousa produções, que já dedicou parte de seu investimento com o mangá da Turma da Mônica.

Na tentativa de trazer para o público o conhecimento desses profissionais espalhados pelo Brasil, entrevistamos a talentosa Designer, Ilustradora e Quadrinista Camila Poszar.

Poszar é desenhista a mais de 12 anos, atua com licenciamento ilustrando personagens e marcas famosas ícones da cultura pop, como Wonder Woman, Harley Quinn, Barbie, Polly, Hotwheels, Miraculous Ladybug. Para além de todo esse talento como ilustradora, Cah (apelido pelo qual é conhecida) tem três trabalhos totalmente originais como quadrinista que se encaixam na estética e linguagem dos mangás, dois deles one-shot e um seriado (Aos interessados ao final do artigo tem uma breve descrição sobre). Atualmente é Designer na Mauricio de Sousa Produções, onde desenvolve guias de marca dos personagens da Turma da Mônica e derivados. Na entrevista falamos um pouco sobre o mercado de quadrinhos no Brasil, perspectivas de futuro, as profissionais mulheres nesse mercado e novidades para este ano de 2020.

                                                                         Foto: Cah Poszar

Quando a arte de desenhar entrou em sua vida?

Cah: Desde sempre, eu acho. A verdade é que eu nunca parei de desenhar, desde criança.

Quando percebeu que deveria transformar essa habilidade em profissão?

Cah: Nunca me imaginei fazendo algo diferente. Sempre quis trabalhar com isso.

Em qual estilo de desenho se encaixa seu trabalho?

Cah: Profissionalmente falando, eu tento ser bastante versátil, desenhando desde Barbie até Ben10 e Turma da Mônica, é importante enquanto profissional dominar vários estilos diferentes. Talvez o que eu menos faça é o estilo realista, de resto, faço de tudo um pouco. Meu trabalho independente segue a estética e linguagem dos mangás.

Você pode descrever brevemente como se dá ilustração de um personagem?

Cah: Bom, tudo depende do pedido do cliente (risos), eu executo o que é solicitado, fica a cargo da imaginação de quem necessita do personagem, seguindo sempre tendências de mercado específicas para que o trabalho seja o melhor possível pras necessidades do cliente.

Você tem algum Ídolo nesse universo de desenhistas?

Cah: Não tenho um só ídolo, mas vários, e na realidade, eles também mudam com o tempo. Tudo depende do meu momento e do que estou buscando pra minha arte.

Você além de atuar como designer de personagens licenciados também realiza projetos independentes, como se inspira para criar suas histórias e personagens?

Cah: Tudo é inspiração, coisas que eu vivo, vejo, livros que leio, filmes que assisto, essas coisas. É importante sempre beber de fontes diferentes, ou seu trabalho será a mesma coisa sempre, raso, sem substância, o que por consequência deixa ele sem graça.

Pode nos contar um pouco sobre a rotina de um Designer e Desenhista de quadrinhos.

Cah: É corrida, maluca, sem tempo pra qualquer outra coisa. Mas eu não trocaria por nada. Basicamente eu trabalho o dia todo, pauso apenas para dormir (risos), das 9h às 18h eu trabalho no meu emprego fixo de designer, depois disso, quando chego em casa, começo meu segundo turno como quadrinista, e fico trabalhando nisso até cumprir a meta que defini para o dia com base na minha agenda de lançamentos de quadrinhos do ano. Com certeza equilibrar essas duas coisas é parte mais difícil, normalmente já estou cansada no período da noite e acabo desenhando minhas HQs sempre com sono (risos nervosos). Acontece que eu gosto demais dessa vida dupla, eu não me imagino trabalhando com outra coisa sem ser o design para licenciamento, por outro lado também gosto muito de contar histórias. Na realidade eu acho que as duas coisas são complementares e não funcionariam tão bem uma sem a outra. O único tempo que tenho de verdade pra mim são os fins de semana, quando esses não estão ocupados por algum evento de quadrinhos ou com outras coisas para cumprir a agenda de produção dos lançamentos do ano.

É como dizem por aí, desenhistas descansam desenhando mais.

Como desenhista independente a mais de 12 anos qual você diria que foi seu maior desafio na área?

Cah: Conciliar meu tempo entre produção independente de quadrinhos e meu trabalho de designer das 9h às 18h. Acontece que eu gosto muito das duas coisas!

Como é o atual mercado para desenhistas e ilustradores de quadrinhos no Brasil?

Cah: Com certeza muito melhor do que há uns 10 anos atrás! Ainda temos muito o que evoluir, mas as coisas estão melhorando bastante pouco a pouco. Como eu gosto de dizer, “baby steps”. Sou bastante otimista e acho que temos um grande futuro, é inegável que os quadrinhos brasileiros tem muita qualidade. Ainda enfrentamos muitas dificuldades, claro, mas eu acredito que as coisas tendem a melhorar pra quem souber ir atrás.

Como é este mercado para as mulheres?

Cah: Se as pessoas se preocupassem mais em divulgar o trabalho das mulheres quadrinistas em vez de ficar perguntando quais preconceitos já sofremos, ajudaria muito. Querem ajudar? Divulguem o trabalho, não cheguem com perguntas invasivas sobre o que eu já sofri. Simplesmente demonstrem interesse pelo meu trabalho e me ajudem a mostrar ele para o mundo. Preconceitos que já sofri são assuntos que nem sempre eu quero abrir com todo mundo.

Como o impacto das indústrias cinematográficas e plataformas de streaming, que oferecem conteúdos em massa da cultura pop/nerd impactou sua área de trabalho? Houve maior procura?

Cah: Com certeza esse foi um avanço fantástico para minha área, ter acesso a entretenimento 24 horas por dia, 7 dias por semana é algo fantástico e ajuda muito a difundir a cultura pop, em outras palavras, cresce o setor.

Em relação às obras em formato digital, que está sendo foco de investimento de grandes editoras como a JBC, você diria que este segmento do mercado é o futuro para divulgação de quadrinhos no Brasil?

Cah: Claro! Isso faz com que os quadrinhos fiquem acessíveis a qualquer momento, na palma da mão, é só querer consumir e você pode, sempre que quiser, como quiser, quando quiser. Você não é mais dependente de lojas ou frete ou qualquer coisa.

Voltando ao assunto sobre seus trabalhos independentes. Qual sua fonte de inspiração para criação de seus desenhos/personagens? Como se dá seu processo criativo?

Cah: Um pouco de tudo, livros, filmes, jogos, até mesmo músicas! No processo normalmente o que me surge primeiro são os personagens, e com base neles e no que eu quero transmitir, vou construindo o universo da história.

Há algum de seus personagens que carregam traços de sua personalidade?

Cah: Todos eles, em maior ou menor grau, mas todos.

Pode nos contar um pouco sobre sua obra original Teerra & Windy?

Cah: Claro! Vou deixar aqui abaixo uma sinopse:

Animais mágicos, um arqueiro cego e uma grande aventura!

Venha junto com o jovem arqueiro Luka, a loba Teerra e a harpia Windy conhecer esse mundo fantástico. O maior sonho dos três amigos é poder sair do território do reino onde vivem, mas isso só é permitido a quem possuir um passe especial, e conquistar esse passe não vai ser nada fácil. Para piorar a situação Luka, que é cego de um olho, não é bem visto pelas outras pessoas do reino. Eles não acreditam nas capacidades dele como arqueiro, além de acharem que ele é um louco de andar por aí falando com animais selvagens.

Além de Teerra & Windy você possui mais dois trabalhos originais que se baseiam em contos de fadas, mitos e fábulas. Qual você acha ser a importância desses contos e sua releitura, sempre com temas atuais para os jovens e o público consumidor de tais histórias?

Cah: Eu sempre gostei muito de contos de fadas, sempre foi algo que me atraiu, e notei que na verdade muita gente também gosta desse tema! Acontece que só escrever HQs baseadas neles, sem nenhuma novidade, seria fazer mais do mesmo, então sempre procuro colocar um pouco da minha visão de mundo nessas versões, o que por consequência faz com que os temas sejam atualizados para nossa realidade e que os leitores se identifiquem ainda mais com eles. Acho legal esse tipo de abordagem pois acredito que estimula as pessoas a lerem ainda mais HQs, elas se sentem atraídas por ser algo que em teoria já conhecem, mas acabam saindo surpreendidas pela nova abordagem.

No Japão sabemos que há um gênero de mangás voltados ao público feminino, recentemente você lançou uma coletânea de Shoujo Mangá com ilustres autoras brasileiras. Qual você considera o peso desse tipo de publicação aqui no Brasil, sabendo que há um grande público feminino que consome mangás e quadrinhos estudianienses.

Cah: O Shoujo ou mesmo quadrinhos com temas mais femininos (ou ainda os que valorizam o emocional dos personagens) sempre foram meio que deixados de lado aqui no Brasil, e o projeto Shoujo Bomb veio justamente para mostrar que aqui temos sim público interessado em consumir esse tipo de material, muito público, diga-se de passagem, independente de gênero. Além disso, serve para mostrar que se bem estruturado, esses projetos dão certo sim, ao contrário do que muitos por aí podem afirmar. É importante frisar que não apenas mulheres tem interesse nesse material, mas o público em geral tem.

Quais os planos para suas obras originais em 2020? Podemos esperar novas histórias? Parcerias?

Cah: Tenho muitos planos legais para 2020! Algumas envolvendo projetos já conhecidos como o próprio Teerra & Windy que será publicado pela editora JBC em formato digital ainda no primeiro semestre deste ano. Mas também títulos completamente originais. Vai ser um ano bastante agitado!

Primeiramente quero te agradecer em nome do Jornal 140 pela entrevista, sabemos que o tempo é corrido nesse universo, com eventos, prazos e produções. Mas é bom saber que existem profissionais como você na área. Devemos ressaltar a importância do apoio a esses talentos em nosso país, divulgando seus trabalhos, é tempo de valorização. Dito isso, você gostaria de deixar alguma mensagem, dica, orientação para aqueles que buscam essa área ou para os fãs que esperam por mais trabalhos originais brasileiros nesse setor.

Cah: Trabalhos brasileiros temos aos montes e de extrema qualidade! É só parar um pouquinho e ir atrás das fontes, tenho certeza aqui que muita gente consome conteúdo de HQs brasileiras via redes sociais e nem sabe disso! Esses artistas muitas vezes estão muito mais próximos do que imaginamos.

Pra quem quer entrar nessa área, a única coisa que eu tenho pra dizer é: COMECE, só isso. Vai lá, desenha e pronto, não fique esperando o tal do "momento certo" pra começar, o momento é AGORA

Mais uma vez grato pela participação, esperamos ver mais de seu trabalho e futuras entrevistas aqui para o Jornal.

Cah: Imagina, eu que agradeço pelo convite! Fiquei muito feliz em participar!

Abaixo a descrição dos dois One-shots originais já publicados:

A Torre: Nos contos de fadas, sempre quando uma donzela está em perigo, ela deve rezar e esperar por um cavaleiro que a salve. Mas o que não contam é que na vida real a própria donzela é que deverá se salvar. O que aconteceria se na história da Rapunzel ela mesma que precisasse se salvar? Descubra em A Torre!

The Little Good Wolf: Amizades que surgem improváveis, às vezes podem se tornar algo muito maior sem nem precisar de uma palavra.Uma nova versão do clássico Chapeuzinho Vermelho com um final inusitado.

Todos esses conteúdos podem ser adquiridos no site oficial da autora em: : https://www.cah-poszar.com


                                                                        Foto: TIM WELL

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